Na época que eu odiava o meu cabelo, eu já queria ter nascido da cor da minha mãe. Quando eu ainda achava que o meu nariz era a coisa mais horrorosa desse mundo, eu desejava não ter nascido da cor do meu pai. Hoje eu aceito o meu cabelo natural, ele é incrível e o meu nariz é lindo e parece a parte da frente de um fusca. Fofo.
Eu, meu coração e a minha alma somos negros. A causa tem totalmente o meu apoio. Minhas mãos erguem a bandeira, mas a minha pele é clara. Por ter a pele clara eu não sofro racismo. Ninguém nunca me chamou de nomes pejorativos ou usou a cor da minha pele pra tentar me ofender. Quando aceitei o meu cabelo, ouvi de muita gente que eu era louca, que minha pele era clara e eu deveria usar o cabelo alisado, como um disfarce. Você não é preta, não força a barra desse jeito. Negros me falaram essas coisas.
Já li algumas vezes (e não foram poucas) que pessoas brancas não podem se sentir negras, não importa se o cabelo é crespo, ou se um de seus progenitores são negros, que importa é a cor da sua pele. Tenho receio se devo publicar certas coisas, ou de me afirmar de certas formas.
Sou mistura de preto com branco, mas meu sangue é negro, sangue de um povo que foi tirado das suas terras pra ser escravizado e diminuído aqui. É esse sangue que corre nas minhas veias e que clama por justiça e igualdade.
Eu me olho no espelho e sei muito quem sou! Sei de onde vim! Mas não sei se sou aceita por ser assim de pele clara. Uma vez eu ouvi que não deveria levantar bandeiras que não eram minhas e que já estava ridículo eu sendo branca lutando contra um suposto racismo. Isso me doeu de uma forma que eu não consigo explicar, pois de certa forma a pessoa tinha razão já que eu realmente nunca sofri por causa da minha cor, mas em contra partida o dor dos meus irmãos me machucavam e indignavam de forma verdadeira. Até hoje os meus punhos ficam cerrados e sinto crescer no meu corpo quando vejo alguma cena de racismo. Quando vejo um dos meus sendo injustiçados.
Não quero roubar a cultura de ninguém, ou ser desagradável quando falo sobre a forma como eu me vejo. Mas eu sou desse jeito. Ofendo-me quando me questionam o motivo de eu não operar meu nariz ou quando perguntam quando decidi aderir à moda do cabelo afro. Minha pele é clara ou amarelada. Só fico com ela mais escura depois de umas duas semanas pegando sol, mas mesmo assim dá muita diferença.
Resumindo, não sei como me definir e nem como fazer você me aceitar.
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Sou branca?
Na época que eu odiava o meu cabelo, eu já queria ter nascido da cor da minha mãe. Quando eu ainda achava que o meu nariz era a coisa mais horrorosa desse mundo, eu desejava não ter nascido da cor do meu pai. Hoje eu aceito o meu cabelo natural, ele é incrível e o meu nariz é lindo e parece a parte da frente de um fusca. Fofo.
Eu, meu coração e a minha alma somos negros. A causa tem totalmente o meu apoio. Minhas mãos erguem a bandeira, mas a minha pele é clara. Por ter a pele clara eu não sofro racismo. Ninguém nunca me chamou de nomes pejorativos ou usou a cor da minha pele pra tentar me ofender. Quando aceitei o meu cabelo, ouvi de muita gente que eu era louca, que minha pele era clara e eu deveria usar o cabelo alisado, como um disfarce. Você não é preta, não força a barra desse jeito. Negros me falaram essas coisas.
Já li algumas vezes (e não foram poucas) que pessoas brancas não podem se sentir negras, não importa se o cabelo é crespo, ou se um de seus progenitores são negros, que importa é a cor da sua pele. Tenho receio se devo publicar certas coisas, ou de me afirmar de certas formas.
Sou mistura de preto com branco, mas meu sangue é negro, sangue de um povo que foi tirado das suas terras pra ser escravizado e diminuído aqui. É esse sangue que corre nas minhas veias e que clama por justiça e igualdade.
Eu me olho no espelho e sei muito quem sou! Sei de onde vim! Mas não sei se sou aceita por ser assim de pele clara. Uma vez eu ouvi que não deveria levantar bandeiras que não eram minhas e que já estava ridículo eu sendo branca lutando contra um suposto racismo. Isso me doeu de uma forma que eu não consigo explicar, pois de certa forma a pessoa tinha razão já que eu realmente nunca sofri por causa da minha cor, mas em contra partida o dor dos meus irmãos me machucavam e indignavam de forma verdadeira. Até hoje os meus punhos ficam cerrados e sinto crescer no meu corpo quando vejo alguma cena de racismo. Quando vejo um dos meus sendo injustiçados.
Não quero roubar a cultura de ninguém, ou ser desagradável quando falo sobre a forma como eu me vejo. Mas eu sou desse jeito. Ofendo-me quando me questionam o motivo de eu não operar meu nariz ou quando perguntam quando decidi aderir à moda do cabelo afro. Minha pele é clara ou amarelada. Só fico com ela mais escura depois de umas duas semanas pegando sol, mas mesmo assim dá muita diferença.
Resumindo, não sei como me definir e nem como fazer você me aceitar.
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Amei <3
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